sexta-feira, março 30, 2007

Ô gente que dor de cotovelo da porra!!

Recebi esse poema de uma amiga que lê meu blog há um tempão!! Ela disse que quando leu, lembrou-se de mim. De todas nós que querendo amar certo, acabamos esbarrando nesses ficantes (palavras dela). Ficantes feios, bobos, chatos, xixi, coco!! (palavras minhas)

O que ela não sabia é que foi num papo com ele que conheci Elisa Lucinda, e que o ex-ficante tem os olhos de azeviche... mais do que a minha cara né?

Sempre que troco de endereço, dou um jeito de dá-lo para a Mana porque sei que ela sempre lê o blog. Ela faz poucos comentários, mas sei que ela está sempre perto. Eu me sinto confortável recebendo esse carinho silente... um beijo para você minha querida!!

Elisa Lucinda
Texto para uma separação


Olhe aqui, olhos de azeviche
Vamos acertar as contas
porque é no dia de hoje
que cê vai embora daqui...
Mas antes, por obséquio:
Quer me devolver o equilíbrio?
Quer me dizer por que cê sumiu?
Quer me devolver o sono meu doril?
Quer se tocar e botar meu marcapasso pra consertar?
Quer me deixar na minha?
Quer tirar a mão de dentro da minha calcinha?
Olhe aqui, olhos de azeviche:
Quer parar de torcer pro meu fim
dentro do meu próprio estádio?
Quer parar de saxdoer no meu próprio rádio?
Vem cá, não vai sair assim...
Antes, quer ter a delicadeza de colar meu espelho?
Assim: agora fica de joelhos
e comece a cuspir todos os meus beijos.
Isso. Agora recolhe!
Engole a farta coreografia destas línguas
Varre com a língua esses anseios
Não haverá mais filho
pulsações e instintos animais.
Hoje eu me suicido ingerindo
sete caixas de anticoncepcionais.
Trata-se de um despejo
Dedetize essa chateação que a gente chamou de desejo.
Pronto: última revista
Leve também essa bobagem
que você chamou
de amor à primeira vista.
Olhos de azeviche, vem cá:
Apague esse gosto de pescoço da minha boca!
E leve esses presentes que você me deu:
essa cara de pau, essa textura de verniz.
Tire também esse sentimento de penetração
esse modo com que você me quis
esses ensaios de idas e voltas
essa esfregação
esse bob wilson erotizado
que a gente chamou de tesão.
Pronto. Olhos de azeviche, pode partir!
Estou calma. Quero ficar sozinha
eu co'a minha alma. Agora pode ir.
Gente! Cadê minha alma que estava aqui?

6 comentários:

Nanda Cris disse...

tem um ditado que diz: enquanto eu não acho o cara certo, me divirto com os errados...
Enjoy!

Suzi disse...

Sabe, comecei a ler o post e já amei o poema, só por ser de Elisa Lucinda, poeta total, que conheci há uns 13/14 anos.
Amo tanto o que essa mulher escreve (aliás, muito mais poeta do que atriz, diga-se de passagem, mas Páginas da Vida a aproximou ainda um pouco mais das pessoas)... Como dizia, amo tanto o que essa mulher escreve, que li seu post e não me permiti ler o poema, ainda.

Quero lê-lo com calma. bebendo as palavras. estou com sono, agora. E se lesse não o sorveria, como devo.
Então, volto mais tarde.
Com a tranqüilidade e a calmaria com que gosto de ler essa mulher.

Té mais!

Rubina disse...

Jade

Só para dizer que o blogue continua delicioso. Nem sempre comento mas adoro os seus textos. Um abraço

Fernanda disse...

Adoro Elisa Lucinda! Ela tem uma voz gostosa e me passa uma paz... Pessoa de carisma e talento!

Segredos da Esfinge disse...

Não fica com essa dor não.
A vida é bela.
Bjos

Jana disse...

Indo procurar no dicionário "azeviche" kkkkkkk

Mas assim, em casos de ficantes, to quase uma PhD!


Beijos