quarta-feira, agosto 08, 2007

Papo de almoço...

Na hora do almoço, eu e a copeira ficamos de papo, e como falamos muito eu digo que vamos abrir o divã. Hoje falando sobre relacionamentos, lembrei de quando fui com minha comadre visitar meu pai, ele morava em Campo Grande-MS, pouco depois que minha mãe morreu e eu estava saindo de um namoro que não terminou bem.

Saímos à noite com meu primo e uns amigos dele. Um de seus amigos, que junto com meu primo hospedara-se em minha casa dois anos antes, me chamou para ir no carro dele. No meio do caminho disse que queria que eu visse um lugar, e fomos até o final da avenida principal, ele parou e saímos do carro.

Ele disse que pensava muito em mim. Que eu era uma mulher maravilhosa, atraente e especial, não merecia aquele namorado. Que eu tinha um olhar expressivo, mas que era o olhar mais triste que ele já tinha visto, esse olhar tinha ficado em sua lembrança.

Estava feliz por ter-me encontrado, que eu ainda tinha o olhar especial, mas que não era mais triste, então ele quis me levar até aquele lugar, que ele adorava e queria compartilhar comigo.

Ali ele me beijou, namoramos um pouco, voltamos para o bar e ficamos juntos o resto da noite. Ele tinha namorada lá e eu minha vida aqui, dias depois vim embora, sem despedidas, sem telefone, sem nunca mais saber dele.

Há tempos não lembrava disso, de como foi bom saber que fui admirada, querida, amada e desejada, por um momento. Um pequeno momento, lindo, eterno, especial e inesquecível!! Exatamente por que foi um momento... como num conto de fadas!!

Não vivemos para sermos felizes para sempre, vivemos para sermos felizes por muitos momentos. Nunca mais encontrei aquele rapaz, mas desejei aqueles momentos em todas as relações que iniciei e valorizei demais esses momentos antes de encerrar cada uma delas.

Às vezes insisto até demais, porque me lembro dos bons momentos. Procuro aqueles momentos, quando choro ao me sentir excluída dos pensamentos do outro, quando não me sinto admirada, amada, desejada. Quando procuro aquele rapaz nos homens errados.

Quantas vezes eu preciso falar para mim mesma que não posso esperar mais do que uma pessoa é capaz de me dar? Ansiedade e expectativa, minhas piores características.

É preciso lembrar sempre da fábula do escorpião e o sapo.

Um escorpião está na beira de um rio querendo atravessar quando chega o sapo. Ele pede que o sapo o atravesse, porque ele não sabe nadar. O sapo olha para ele com desconfiança e diz:
- De jeito algum. Se eu ponho você em minhas costas, você me pica e eu morro!
- Eu não sei nadar, se você morrer eu morro também - disse o escorpião.

O sapo então deixa o escorpião subir em suas costas. No meio do caminho, o sapo sente a picada e o veneno do escorpião lhe invadindo o corpo e a paralisando seus membros. À medida que se vai afundando, o sapo diz:

- Por quê você fez isso? Não vê que agora vamos morrer os dois?
- Eu sei – respondeu o escorpião – mas é a minha natureza.

4 comentários:

minds disse...

Fikei mais uma vez maravilhada com o seu blog....

O seu texto é lindo!!!

bj grande

Osc@r Luiz disse...

Oi J@de.
Achei o texto de que lhe falei sobre o "Gerundismo" e o repostei lá no By Osc@r Luiz hoje, como havia dito.
Se quiser dar uma olhada...
Um beijo, amiga querida!

Dani disse...

assinaria esse texto!
Perfeito!

drika disse...

eu me lembro disso sempre, agora.
respeitar as características pessoais dos outros é a melhor forma de entendê-los.

beijos.